O Maquinista
Rolando Boldrin vive o maquinista Pereira, em cena do filme Doramundo, de João Batista de Andrade, 1978.
Foto: Arquivo/AE

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Cinema
Na tela grande

Depois de ter vivido um montão de personagens na televisão, mais a experiência no teatro, até que poderia acontecer algum convite pra cinema...

Mas isso demorou um pouco.

Foi em 1978 que o João Batista de Andrade apareceu lá em casa de “pareia” com meu amigo David José, um roteiro nas mãos e perguntou o que eu achava do meu país.

Tomamos café coado, falamos amenidades, rimos um pouco com meus “causos” de São Joaquim, e o João entrou no assunto sério começando por dizer que o cinema brasileiro era pobre, dinheiro curto etc... mas que queria me ver na tela grande interpretando o ferroviário de sua história: O “Pereira”.

Para a filmagem a gente ficou residindo por várias semanas num “vagão” entre a fumaça das “locobreques” da estaçãozinha de Paranapiacaba.

Eu, numa espécie de laboratório para interpretação, passei a beber pinga com Cambuci, jogar bilhar com os ferroviários autênticos da estação, barganhando com os mesmos as roupas novas do figurino, e a barba por cortar.

O convívio gostoso com os companheiros de TV Irene Ravache e Antonio Fagundes, o triângulo amoroso desta história do João Batista, e estava feito “Doramundo”. E eu... o “Pereira maquinista”.

Foi talvez devido ao sucesso do “Doramundo” que logo depois (20 anos apenas), em 1998, o mesmo João Batista reapareceu. Desta vez o personagem seria um velho coronel das bandas de Pirenópolis, em Goiás, com uma barba lembrando Karl Marx: O Tronco.