Grandes festivais
Rolando Boldrin durante show em São Paulo, 1969.
Foto: Acervo Pessoal (DR)
Shows
Festivais e resistência ou Compositor e cantadô

A censura era extremante ridícula, proibia tudo, fosse na música, no teatro, na literatura... na vida. E os atores resistindo, o pessoal do Arena, do Oficina. Fazíamos reuniões em teatros lotados, até de manhã.

Tinha o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) que não deixava os artistas em paz. Estávamos sempre a postos para rebater. Os artistas se davam as mãos e enfrentavam até tiros. O Plínio Marcos era observado, proibido de participar de qualquer coisa... chamado no DEOPS como Augusto Boal e Geraldo Vandré. Quem se arriscava mais de perto fazia como o Mariguella ou Lamarca ou como tantos outros...

1968 foi um período difícil, mas importante. Era ano de festivais, e no da Tupi, organizado pelo amigo Fernando Faro, cantei com Lurdinha a música “Minha Moda”, com o arranjo genial do Duprat. Ganhamos o festival. Foi a vez também do III Festival Internacional da Canção Popular, com o samba “Onde Anda Iolanda”, classificado para as eliminatórias finais, mesmo não me considerando um cantor. Estávamos todos lá apesar da dura repressão. Quem não se lembra de “Sabiá”, de Jobim e Chico, de “Pra não dizer que não falei das flores”, de Vandré, de “Andança”, de Paulinho Tapajós, Danilo Caymmi e Eduardo Souto, de “Passacalha”, de Edino Krieger, de “Dia de Vitória”, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, entre outros tantos que defendiam a música popular... e protestavam contra a censura.

Nesse tempo, o lado “metido” de compositor caminhava comigo de forma latente, pois até alguns sambas conseguia gravar. Teve um samba que enviado à censura naquela época continuou na “Gaveta” até hoje: “Maria Izabel”. Era a época dos grandes festivais. A gente até arriscava participar de alguns.

Minhas inspirações vinham de histórias vividas, histórias observadas, histórias de amor, histórias da minha terra... Componho e canto o Brasil.

A estréia no disco, o primeiro vinil (compacto simples), cantando e compondo, foi em 1962, no maxixe “Do que eu gosto mais”, num dueto com Lurdinha Pereira, minha esposa nessa época, companheira por longos anos, na vida e na direção do meu canto nos estúdios de gravação e em quase tudo que gravei.

A história de compor, cantar, contar e gravar não parou mais...